Como os agentes antiespumantes controlam a espuma na interface
Um agente antiespumante só funciona se o líquido não o aceitar totalmente. Isso parece contraditório até se observar uma película de espuma em vez de uma lata pronta. Avalio estes produtos com base num único aspeto: a fina parede entre duas bolhas. Se o aditivo permanecer dissolvido na massa, nunca chega a essa parede. Se for violentamente rejeitado, forma gotículas e deixa crateras. Os produtos eficazes situam-se na estreita faixa entre essas duas falhas.
A espuma mantém-se porque os tensioativos se acumulam na interface ar-água e mantêm a película elástica. O ar continua a chegar a partir de um disco de dissolução, de uma bomba, de uma pistola de pulverização ou de um tanque de aeração. A gota anti-espuma tem de entrar nessa película, espalhar-se por ela e deixar uma ponte fraca para que o líquido escorra e a bolha se colapse. A penetração e a propagação requerem uma tensão superficial inferior à do líquido espumante e uma baixa solubilidade neste. É esse o segredo. O polidimetilsiloxano apresenta uma tensão superficial de cerca de 20 mN/m em relação à água, cuja tensão é de 72 mN/m, pelo que se espalha com dificuldade. A sílica hidrofóbica presente em muitas emulsões atua então como um alfinete e conclui a ruptura. O antiespumante à base de óleo mineral com partículas hidrofóbicas realiza a mesma função de forma mais lenta. As variedades de poliéter dependem frequentemente da temperatura: mantêm-se mais inativas quando frias, perdem solubilidade perto do seu ponto de turvação e só então ocupam a interface.
Os copos de laboratório escondem isto. Um teste de agitação premeia a rápida eliminação das bolhas. Uma linha de circulação premeia a gotícula que ainda persiste após o cisalhamento, o calor e um dia de bombagem. Demasiado emulsionante torna o antiespumante “bom” na fórmula, mas inútil na bolha. Se for em quantidade insuficiente, ou se for o silicone errado, o revestimento seco apresenta um efeito «olhos de peixe», uma névoa gordurosa ou uma nova camada que não molha a superfície. Já tive de corrigir ambos os defeitos na mesma semana com o mesmo sistema de resina. A dosagem quase não mudou. A compatibilidade, sim.
É por isso que divido a adição nos revestimentos à base de água. Uma parte vai para a trituração, porque o moinho gera ar e também tritura gotículas grossas, transformando-as em algo com que a película consegue lidar. Outra parte vai para a diluição, para reter a microespuma que só aparece quando a viscosidade começa a aumentar. Uma dose tardia parece eficiente no papel. Deixa pequenas bolhas retidas num filme em solidificação. A água de processo segue o mesmo princípio, mas com unidades diferentes: algumas dezenas de ppm de forma constante costumam ser mais eficazes do que um despejo precipitado num tanque de espuma.
Quando a persistência desaparece após uma hora de circulação, não aumento logo a dose do produto. Pergunto se o hidrofóbico foi cisalhado até atingir a compatibilidade, se o pH desestabilizou a emulsão ou se o produto foi concebido apenas para eliminar a espuma superficial e não a microespuma presente no volume. Aumentar a dose num produto que já se dissolveu é a forma de introduzir defeitos superficiais e ainda assim manter a espuma.
Portanto, a questão técnica não é “qual é o antiespumante mais potente”. Trata-se de saber se a gotícula consegue permanecer ligeiramente indesejada durante tempo suficiente para continuar a encontrar a película. Essa margem é estreita. Se não se acertar em qualquer um dos lados, o tanque volta a parecer agitado ou a película parece estar quebrada.